Split payment: prepare financeiro, fiscal e tecnologia

Equipe Notanova 5 min de leitura
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O split payment muda a lógica do recebimento

O split payment é uma das principais mudanças operacionais associadas à reforma tributária. Nesse modelo, os valores relativos à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) podem ser separados durante a liquidação financeira de determinadas operações. A parcela tributária é direcionada ao recolhimento, enquanto o fornecedor recebe o valor restante.

Na prática, a empresa não deve analisar o mecanismo apenas como uma nova forma de pagar tributos. Ele conecta informações fiscais, meios de pagamento, sistemas financeiros e processos de conciliação. Por isso, sua preparação exige a participação conjunta das áreas fiscal, contábil, financeira e de tecnologia.

O que foi aprovado para a plataforma pública

A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS aprovaram documentação técnica com procedimentos e padrões operacionais aplicáveis à Plataforma Pública do Split Payment. O Ato Técnico Conjunto nº 5/2026 contempla especificações relacionadas tanto à CBS quanto ao IBS.

Entre os materiais aprovados estão:

  • Manual de Operações, versão 1.0.1;
  • Manual de Integração, versão 1.1.1;
  • documento OpenAPI, versão 1.1.1;
  • Manual de Tempos, versão 1.0.1;
  • Manual de Redes, versão 1.0.1;
  • Manual de Segurança, versão 1.0.0.

O ato também permite a publicação de versões posteriores para atualização dessa documentação. Além disso, foram ratificadas versões anteriores do Manual de Operações e do Manual de Tempos que haviam sido disponibilizadas como minuta.

Outro ato técnico conjunto, de nº 4/2026, aprovou o Manual de Habilitação de Participantes, versão 1.0.0, e o Manual de Redes, também na versão 1.0.0. Em conjunto, esses documentos indicam que a implementação depende de regras de participação, comunicação entre sistemas, segurança, integração e controle dos tempos de processamento.

Por que o impacto vai além da área tributária

No fluxo tradicional, o financeiro costuma conciliar o valor da venda com o total creditado pela instituição de pagamento. Com a segregação de IBS e CBS, essa conferência tende a exigir uma visão mais detalhada: valor total da operação, parcela tributária separada e montante efetivamente destinado ao fornecedor.

Isso afeta diretamente a leitura dos extratos e a baixa de contas a receber. Se o sistema esperar que o crédito financeiro seja igual ao valor integral do documento, poderá apontar diferenças que, na realidade, correspondem ao recolhimento segregado dos tributos.

O fluxo de caixa também merece atenção. A empresa deve evitar tratar como recurso disponível uma parcela que será direcionada ao pagamento de IBS e CBS. Projeções financeiras, relatórios gerenciais e indicadores de recebimento precisarão distinguir faturamento, tributos segregados e entrada líquida.

Integração de sistemas será um ponto central

A existência de um Manual de Integração e de um documento OpenAPI demonstra a relevância da comunicação estruturada entre a plataforma e os participantes do processo. Empresas que utilizam ERP, sistemas fiscais, plataformas de venda, soluções de cobrança ou softwares de conciliação devem avaliar como esses ambientes trocarão informações.

Não basta registrar que houve um recebimento. Será necessário relacionar os dados financeiros à operação correspondente e identificar corretamente os valores vinculados à CBS e ao IBS. Falhas nessa associação podem gerar divergências contábeis, pendências em contas a receber e dificuldades para explicar diferenças entre receita faturada e dinheiro creditado.

Os manuais de redes e segurança também mostram que a implantação envolve requisitos técnicos de comunicação e proteção de dados. Assim, fornecedores de software e equipes internas de tecnologia devem acompanhar as especificações oficiais e suas atualizações, sem basear o desenvolvimento apenas em versões preliminares.

Como organizar a preparação da empresa

Mesmo antes de iniciar alterações definitivas nos sistemas, a empresa pode mapear os pontos de impacto. Um plano prático pode incluir as seguintes etapas:

  1. Desenhar o fluxo atual: documentar como pedido, documento fiscal, cobrança, pagamento, baixa financeira e contabilização são conectados.
  2. Identificar dependências: relacionar ERP, sistema fiscal, bancos, adquirentes, plataformas de pagamento e ferramentas de conciliação envolvidas.
  3. Revisar a baixa dos recebíveis: verificar se o sistema permite conciliar um valor líquido sem considerar a diferença como inadimplência ou desconto comercial.
  4. Separar os registros: preparar relatórios para demonstrar o valor da operação, a parcela de IBS e CBS e o montante recebido pelo fornecedor.
  5. Avaliar a contabilização: definir como a segregação será refletida nos lançamentos, preservando a rastreabilidade entre documento, pagamento e tributo.
  6. Acompanhar versões técnicas: controlar quais manuais foram utilizados em cada desenvolvimento, pois a documentação pode receber atualizações sequenciais.
  7. Planejar testes integrados: incluir cenários de liquidação, conciliação, divergência e retorno de informações, envolvendo fiscal, financeiro e tecnologia.

Controles internos que ganham importância

A rastreabilidade será essencial para entender cada recebimento. A empresa deve conseguir responder qual operação originou o crédito, qual valor foi segregado e como as informações chegaram aos sistemas internos. Essa trilha reduz retrabalho e facilita a investigação de inconsistências.

Também é recomendável definir responsáveis por monitorar mudanças na documentação técnica. Como os materiais abrangem operações, integração, redes, tempos e segurança, o acompanhamento não deve ficar restrito ao departamento fiscal. Uma governança multidisciplinar evita que alterações técnicas sejam percebidas apenas quando afetarem o fechamento contábil ou o caixa.

O próximo passo para empresários e contadores

O split payment transforma a liquidação financeira em parte do processo de recolhimento de IBS e CBS. Para as empresas, o principal desafio será manter coerência entre o documento fiscal, a transação financeira, a parcela tributária segregada e o registro contábil.

Empresários e contadores devem começar pelo diagnóstico dos processos existentes e pela aproximação com os fornecedores de tecnologia. A publicação dos manuais fornece uma base técnica para essa conversa. Quanto mais cedo forem identificadas limitações de integração e conciliação, menor será o risco de diferenças financeiras, baixas incorretas e perda de visibilidade sobre o caixa.

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um contador ou advogado tributarista.

Fontes

  1. pradvogados.com.br — receita federal e comite gestor do ibs aprovam procedimentos para operacionalizacao do split payment
  2. netcpa.com.br
  3. icont.cnt.br — receita e comite gestor do ibs aprovam manuais da plataforma publica do split payment
  4. bluetax.com.br — split payment ato tecnico conjunto rfb

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